O Dia em que o Coelho da Páscoa Morreu

20 06 2007

Bunny SuicidesCerta vez, na páscoa, meus pais resolveram fazer-me uma surpresa. Eu tinha cerca de 3 ou 4 anos. Haviam espalhado chocolates pela casa toda e, para que eu os encontrasse, fizeram pegadas de coelho com talco – ou pomada, não me lembro – seguindo o “caminho do coelho”.

Foi uma festa e tanto. Passei algum tempo seguindo as pegadas e comendo todos os chocolates. Então chegou o momento em que os chocolates acabaram. Porém, eu continuei seguindo as pegadas por toda a casa. -Não tem mais chocolate, filho. Dizia minha mãe. Mas eu não desistia nunca. Eu dizia: -Quero o coelho! Foi então que achei o último rastro do animalzinho moribundo. As pegadas seguiam pela cozinha até a área de serviço, subiam pela parede e acabavam na janela do quinto andar. Nesse momento comecei a chorar a morte do bichano, enquanto minha mãe dizia: -Calma, filho. O coelhinho da páscoa não morreu. O coelhinho da páscoa voa. – Ora essa, acreditar em coelho da páscoa ainda vai. Agora, acreditar em coelho voador? Eu retrucava: -Não!! O coelho não voa! O coelho morreu!!

Estaria tudo bem até aí, se eu não disseminasse a discórdia desde aquele tempo. As crianças realmente percebem, um dia, que seus coelhos da páscoa morreram. Mas, eu fiz questão de contar a todos os meus primos, em um almoço de família. Foi a maior choradeira. As crianças não acreditavam. Como ele poderia ter morrido, se naquele dia mesmo havia visitado a todos e distribuído chocolates?

Aí me vem a dúvida: Quando será que deixamos de acreditar em, ou percebemos que não existem, coelho da páscoa, papai noel e outras figuras folclóricas da nossa infância? Acredito que se realmente existissem, e com a minha sorte, o bicho de olhos vermelhos e pelo branquinho pularia bem alto e voaria da minha janela rumo ao chão. Era uma vez um coelhinho.

Anúncios